

"Companhia de experimentação cênica nortista, paraoara, originada no ano de 2011 por um grupo de amigos atores,cenógrafos, arte- educadores, encenadores e produtores pesquisadores interessados em investigação teatral com dramaturgia própria, focando o "dizer teatral" a partir de suas histórias de vida" em interlocução permanente com as pessoas,o tempo, o espaço e o movimento nos diferentes contextos com os quais interagem por meio de uma metodologia que intitulamos pesquisa-espetáculo".



| O QUE NOS MOVEU A PESQUISAR: Observamos, com base nos trabalhos realizados no Projeto "O resgate da radionovela" que o texto teatral, apesar de pretexto para composição da cena, é um elemento importantíssimo para o ator, por fornecer inúmeras possibilidades de adentramento em seus subterrâneos, o que Walter Bandeira denominava "sub-sub". Mergulhos que, segundo ele, desaguam sempre em novas conexões e relações que são experimentadas pelo ator na composição de seus personagens, e vivenciadas pelo espectador/ouvinte que os assiste/ouve. Junto a isso tínhamos o desejo de realizar um trabalho mais apurado com a voz dos atores como único elemento capaz de fazer essas sucessivas viagens interpretativas às camadas mais inferiores do texto teatral, essas múltiplas territorialidades/ desterritorialidade/ retorritarialidades, foi algo que nos motivou a empreender esse trabalho que conta como elemento propulsor de nossa mais alta provocação e é o foco de nossa pesquisa. O QUE ESTAMOS FAZENDO PARA PESQUISAR A metodologia empreendida "junto-separado-junto", exercícios pessoais e coletivos propostos pelo encenador, os indutores da memória afetiva, as histórias de vida de cada um, a musicalidade no imaginário do ator-criador tem sido os instrumentos que nos ajudam a visitarmos os vários lugares da gente, atores e autor, bem como os lugares visitados imageticamente que as pessoas tem relatado em nossas conversas ao término das apresentações. A metodologia de ouvir as pessoas falarem sobre o trabalho tem auxiliado a gente a elucidar questões não observadas no decorrer do processo, agregar valor e continuidade a alguns aspectos que já estamos realizando e nos lançar por novos canais sinalizados por elas ao pontuarem aspectos específicos do espetáculo. O QUE JÁ DESCOBRIMOS ATÉ AQUI Certamente o projeto pensado na perspectiva de pesquisa-espetáculo confere ao trabalho achados importantes em cada etapa vivenciada. A cada nova apresentação seguida da audição do público, sentimos que os personagens A, B e C alteram pequenas partituras, vocais e corporais, como modelagem movediça, não fixa mas consistentes em sua proposta de pesquisa de experimentar coisas novas, sem contudo perderem a essência de sua dramaturgia, o que está na base do ator-interprete-criador e ele traz para a cena. O fato de nos colocarmos abertos a este tipo de diálogo tem nos deixado mais disponíveis para acolher as outras possibilidades que o corpo, a voz corporificada no movimento e o deslocamento das vozes nos propõe em cada novo espaço que apresentamos. Um outro aspecto importante tem sido a relação com a luz, uma vez que esta tem aparecido cada vez mais com o quarto personagem desta empreitada, protagonista e antagonista cênica que juntamente com o texto tem nos ajudado a tecer inúmeras outras fiações com a cena pessoal, de cada personagem com ela e destes com os demais, desembocando no espetáculo em si. |
Espetáculo “Em algum lugar de mim” faz nova temporada na Casa da Atriz (Foto: Divulgação)
Um espetáculo diferente e instigante. No palco, três atores. O figurino é simples, e o cenário, composto apenas por velas. Esses são alguns dos elementos de “Em algum lugar de mim”, da Companhia Avuados de Teatro, que estreia nova temporada hoje, na Casa da Atriz.
Escrito pelo dramaturgo Mailson Soares e idealizado no formato de teatro de câmara, o espetáculo convida o público a se aprofundar e criar possibilidades no enredo através das potencialidades do texto.
São três personagens, denominados A, B e C, interpretados por Dario Jaime, Fabrício de Souza e Rosilene Cordeiro. Eles não apresentam nome, idade, sexo, nada que os qualifique. Seus diálogos se cruzam em uma narrativa não-linear, levando o público a transformar o roteiro em múltiplas interpretações.
Com duração de aproximadamente uma hora, “Em algum lugar de mim” convida ao final os espectadores para uma discussão. É nesse momento que o público revela sua opinião sobre o espetáculo e troca impressões com o elenco, que utiliza essa dinâmica como uma forma de pesquisa. (Diário do Pará)
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Espetáculo “Em algum lugar de mim”, da Companhia Avuados de Teatro. Direção de Mailson Soares. Hoje (15) e nos dias 22 e 29, às 20h, na Casa da Atriz (Rua Oliveira Belo, 95). Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).